Infectologista defende isolamento, diversificação de vacinas e atenção às populações vulneráveis

"O momento é gravíssimo, é uma situação sem precedentes", alertou o infectologista Ronaldo Campos Hallal que, na tarde de quinta-feira (18), durante a reunião da Comissão Externa de Representação, coordenada pelo deputado estadual Pepe Vargas (PT). A Comissão tem procurado ouvir especialistas reconhecidos na comunidade médica e científica, para contribuir no processo de imunização da população. Também participou da reunião a deputada estadual Patrícia Alba (MDB), integrante da Comissão.

O infectologista apontou a vacinação como uma estratégia essencial e precisa ser intensificada. Ele relatou os casos da Escócia, Israel e Estados Unidos que vivenciam a redução de Covid-19, com o avanço da imunização. Questionado pelo coordenador da Comissão sobre a diversificação das vacinas no Brasil, Hallal considerou essencial o acesso a outros imunizantes, para além da Coronavac e Astrazeneca. “Com a ampliação do elenco de vacinas, possibilita um maior preparo para, inclusive, tomarmos decisões, se preciso, diferentes em relação à priorização dos diferentes grupos. Quando ficamos refém de uma ou duas, nossa margem de manobra se reduz, além de um possível monopólio”, esclareceu.

Além disso, o infectologista, foi enfático na defesa do isolamento social como estratégia para controlar a transmissão do vírus. "Não se pode banalizar a vida como está sendo banalizada no Brasil, no Estado e nos municípios. A Covid-19 já é a maior causa de morte do país". O infectologista criticou a possibilidade de reabertura das atividades anunciadas pelo governo do Estado. Segundo ele, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera uma taxa de propagação do vírus de 0.7% como um indicador de retração da pandemia e uma taxa de circulação menor que 10% para se considerar a possibilidade de abertura das atividades. Hallal considera as medidas adotadas no Brasil como insuficientes para conter a contaminação e as mortes. Países como Chile e Uruguai mantiveram taxas inferiores de circulação, assim como a Europa, e em situações de expansão da doença optaram pelo lockdown, levando à queda das taxas. "Precisamos ter em torno de 70% de isolamento social, passamos para 40% e só conseguimos 50% nos domingos. Iremos conviver com mortes evitáveis porque pela falta de acesso aos cuidados adequados",

Na análise da infectologia é preciso rever a política de prevenção, pois a vacinação não deve ser compreendida separada dela, como o uso correto de máscaras adequadas e o isolamento social. Ele defende, por exemplo, uma política de distribuição do uso de máscaras. "Não é correto culpar a população, mas é um discurso permanente dos governos, culpar pela transmissão. Mas há falta de ações efetivas, preventivas de educação para saúde", disse. "O papel do gestor não é transferir a responsabilidade, mas ter uma percepção mais integral da prevenção. Temos lacunas no que diz respeito ao acesso aos insumo e de promoção e de ação para saúde ", completou.

Outro ponto destacado pelo profissional, é que a pandemia aprofundou as desigualdades sociais. O coeficiente de mortalidade da Covid-19 é maior entre a população negra, parda e indígena do que na branco e a taxa hospitalar chega a ser três vezes maior entre as pessoas com até cinco anos de escolaridade. Portanto, Hallal sugere observar esses fatos no plano de imunização, as questões de vulnerabilidade social. “É preciso olhar para as populações e seu nível de vulnerabilidade”, conclui.