OS PREJUÍZOS DA PRIVATIZAÇÃO DE EMPRESAS PÚBLICAS PARA A AGRICULTURA FAMILIAR.

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo realizou, na noite desta quarta-feira (02), audiência pública para tratar dos impactos no setor primário da PEC 280, que foi aprovada pela Assembleia Legislativa nesta semana. A PEC 280, retira da Constituição Estadual a obrigatoriedade de plebiscito para venda da CORSAN, BANRISUL E PROCERGS.

O deputado Pepe Vargas, líder da bancada do PT na ALERGS, disse que os argumentos do Governo do Estado são fracos e tem a cara da velha política. “Se este debate fosse feito de forma publica e democrática as pessoas certamente não iam querer a privatização da CORSAN E BANRISUL. O governador é um jovem, mas usa defesas típicas de uma política velha para justificar seus movimentos, na verdade ele a que não quer ouvir o povo.”

O parlamentar falou sobre o papel da agricultura e as conseqüências no caso de uma privatização da CORSAN. “Temos que discutir o uso múltiplo das águas, pois precisamos de água para irrigação, na alimentação, para as vacas. A água é vida e por isso que somos contra a privatização da água. Estamos à beira de um novo apagão porque a região central está vivendo uma seca e começa a ter problemas para irrigação, para a saúde animal e humano. Como seria com a CORSAN privatizada a questão do uso múltiplo das águas?”.

Pepe ainda salientou a importância de um banco público gaúcho para a agricultura. “A bancada do PT apresentou agora o PL115, tivemos uma estiagem aqui no RS, dificuldade de acesso ao crédito. Então apresentamos uma proposta de crédito emergencial. Na nossa proposta utilizaria o FEAPER. Precisamos de um banco público como o BANRISUL para operar isso. Precisamos das cooperativas de crédito para operar também. Qual o papel do banco público? Evidente que tem espaço para um banco público e para o banco cooperativo” finalizou.

Entidades defendem a participação das empresas públicas na agricultura familiar gaúcha

Arilson Wunsch, do Sindiágua, afirmou que mais de 300 câmaras municipais já se manifestaram contra a venda das empresas públicas, mas Leite está ignorando, pois tem compromisso com a iniciativa privada.

Denise Correa, da direção da Fetrafi, afirmou que o “governador rompe a sua palavra e um parlamento que não leva em consideração as pesquisas e não faz o bom debate. Mais de 300 câmaras de vereadores mandaram moções e o parlamento virou de costas para o povo. Veja a pesquisa, 70% da população não queria a retirada do plebiscito. Como vamos reconstruir esse estado sem o Corsan, o Banrisul, a CEEE?”.

Virgílio Perius, Presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS afirmou que “O que estamos vivendo é um momento difícil que a pandemia nos trouxe e isso é o que chamamos de ‘a boiada está passando’ Vamos buscar outras formas de cooperação, estamos sendo provocados a pensar assim”.

Gervásio Plucinski, presidente da Unicafes/RS ressaltou que aqui no Brasil se privatiza por valores insignificantes e isso não tem benefícios para a comunidade. “Estamos vendendo o que é importante para as pessoas.Eu vejo que boa parte da nossa sociedade também está estranha com a política e não quer nem acompanhar o que está acontecendo e essa postura do governador colabora com isso. Pois ele se elegeu afirmando que não iria privatizar e agora faz o que fez. Ele brinca de tal forma que colabora com esse pensamento de afastamento do povo da política” desabafa.

Vera Guasso, representante do Sindicato das Empresas de Processamento de Dados, defendeu a Procergs,“A tecnologia da informação de todos os serviços públicos perpassa a Procergs. Se ela parar, os caminhões que transportam a agricultura não andariam”.

Luciano Fetzner, do Sindicato dos Bancários, disse que o processo todo por parte do Governo e de alguns deputados governistas foi baseado em mentiras, pois a base governista não teve argumentos sólidos para defender o fim do plebiscito,“Me parece que privatizar empresas lucrativas não faz sentido e esse discurso é ultrapassado. países do primeiro mundo estão defendendo a estatização do sistema financeiro”, argumentou, lembrando que são os bancos públicos que ajudam no desenvolvimento da agricultura familiar.