Representantes de várias regiões do Estado realizam ato contra modelo de pedágios do governo Leite

O descontentamento dos usuários de rodovias quanto ao modelo de pedágios que o governo do Estado quer implantar no estado por meio do anunciado programa “Avançar”, que cria 22 novas praças de pedágio no Estado foi manifestado na manhã desta segunda-feira. O ato realizado na frente do Palácio do Piratini reuniu vereadores e vereadoras de Alvorada, Canoas, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Esteio, Farroupilha, Gravataí, Porto Alegre, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Veranópolis e Viamão, além de deputados da bancada do PT na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

O coordenador da Frente Parlamentar em Defesa dos Usuários das Rodovias Pedagiadas, deputado Pepe Vargas, lembrou que várias frentes foram constituídas no sentido de buscar esclarecimento sobre a proposta do Executivo. Pepe observou que o governo do Estado fez um termo de cooperação com o BNDES para modelar as concessões. Os estudos foram iniciados há mais de um ano atrás e o BNDES contratou duas empresas que não são do estado e não ouviram a população nem seus representantes. Pepe lembrou também que o governo realizou apenas três audiências, com poucos minutos para a população se manifestar quanto à modelagem que vai redundar em tarifas elevadas por quatro razões: “O valor de outorga que possibilitará o governo fazer caixa imediato; a segunda, que o governo está limitando o desconto que as empresas oferecerão sobre as tarifas básicas a 25%; a terceira razão é há uma taxa interna imposta pela União; a quarta razão é que há comunidades que hoje tem isenção das tarifas para ir ao centro da cidade porque moram muito perto das praças perderão a isenção e terão no máximo o desconto de usuário freqüente que será de no máximo 15%”, enumerou, defendendo um sistema em que a população possa fiscalizar, que haja modicidade tarifária, que fiquem claras as obrigações das concessionárias. “Não é só quem vai passar pelos pedágios que vai pagar essa conta. O conjunto da população vai pagar a conta porque os produtos que consumimos são transportados por caminhões e as altas tarifas encarecerão o frete e conseqüentemente a população pagará mais caro tudo o que consome”.

A vereadora Denise Pessoa do PT de Caxias do Sul defendeu mais debate, mais obra e uma licitação pelo menor preço e sem outorga. “Compreendemos que esse modelo não seja o mais adequado, ms sim a EGR em que a margem de lucro seria revertido para as obras do Estado”, segundo a vereadora, com a nova proposta, quem faz o trajeto Caxia-Porto Alegre-Caxias passará a pagar R$ 33 de pedágio e este custo, observou, será repassado aos consumidores. “Um cronograma de 30 anos talvez a gente perca de vista. Tem obra que serão concluída com 20 anos”, argumentou.

Também de Caxias do Sul, o vereador Lucas Caregnatto, afirmou que Eduardo Leite descuidou do Rio Grande do Sul porque tem mostrado que a lógica da tecnocracia, de terceirizar demonstra que não tem compromisso com o povo. “Demonstramos um descontentamento com um modelo que vai tirar dinheiro do trabalhador para tapar os furos nos problemas que o Estado tem, um modelo que não foi discutido e que vai encarecer a vida das pessoas. É por este e muitos motivos que como vereadores queremos dizer não a esse modelo. O que o governo faz é alijar o bolso do trabalhador”.